terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ciencias e azar

As ciências estão hoje imersas em um processo de reconstrução conceitual. No que toca à matéria, os atomistas gregos nos legaram um projeto: tentar conciliar a permanência e a mudança. Daí a ideia de combinações temporárias de elementos
permanentes: antigamente os átomos e moléculas, hoje as partículas elementares. Agora bem, um das descobertas fundamentais da ciência nos últimos anos é justamente a instabilidade das partículas elementares. Se as experiências atualmente em marcha são confirmadas estaremos obrigados a concluir que o projeto atomista, por mais
fecundo que tenha sido, chega hoje a seus limites.
Dantes buscava-se, também, simetrias no universo: o caso mais impressionante é o da mecânica quântica relativa às partículas e antipartículas. Como estas últimas são um produto de laboratório, nos ver nos levados a concluir que esta simetria não é necessária em nosso meio cosmológico. Vivemos portanto em um universo não simétrico, estranho à harmonia geométrica ideal da física clássica.
Reconstruções fundamentais também nos esperam no que se refere ao espaço e ao tempo. Este já não é mais o parâmetro externo da dinâmica clássica, utilizado mal para balizar uma trajetória. O tempo apresenta agora características diferentes, mais unidas à irreversibilidade e, em consequência, à história em todos os níveis,
desde as partículas até a cosmologia. Na época em que a mecânica clássica imperava de maneira indiscutida podia falar de um nível fundamental. Hoje a física está mais aberta e estamos obrigados a considerar uma pluralidade de níveis interconectados, sem que nenhum possa ser considerado prioritário ou fundamental.

- Que pensa voce então da hipótese de Einstein, segundo a qual o campo é a única realidade?
A cada vez é mais difícil aceitar que um só conceito possa relegar ou conter as diferentes facetas do universo. Ainda que se quiséssemos citar um conceito que traspasse as separações clássicas da ciência eu proporia o redescobrir do tempo. Diz-se frequentemente, e com razão, que nosso século XX foi marcado na física por duas revoluções: a da mecânica quântica e a da relatividade. Em um princípio estas teorias foram formuladas como simples correções da mecânica clássica. Mas atualmente a mecânica quântica transformou-se na teoria que dá as leis de transformação das partículas elementares. Quanto à relatividade, esta constitui o quadro da histórica térmica do universo. Em outras palavras essas duas matérias se
“temporalizam”.
- De que maneira a visão determinista da ciência clássica pode enfrentar o impacto da casualidade?
Talvez possamos primeiro evocar o diabo de Laplace. Voce sabe que bastava fornecer as informações necessárias sobre um sistema dinâmico para que este fosse capaz de calcular qualquer estado passado ou futuro desse sistema. No universo descrito pelas ciências modernas a casualidade tem um papel a cada vez maior. A visão probabilística surgiu primeiro nas tentativas de explicação microscópicas da entropía, o que foi feito pela importante obra de Boltzman. Depois veio a
mecânica quântica; apesar das inumeráveis tentativas para retornar à ortodoxia determinista as estatísticas seguem desempenhando ali um papel irredutível.
Em nossa escala de seres vivos, de compostos macroscópicos, parecia que a lei dos grandes números podia restabelecer o esquema determinista. Mas é que surge o probalístico, o estatístico, com muita força também neste nível: este é um dos aspectos da descoberta do auto-estruturalísmodo dos sistemas macroscópicos
longe do equilíbrio. O que os vincula ao aleatório depende da variedade de formas que, de uma experiência a outra, esses mecanismos de estruturalizar possam desenvolver apesar dos mais rigorosos controles das condições de experimentação. Aqui já não se trata de fenômenos calculáveis por meio de leis gerais: cercada pelo estado de equilíbrio as leis da natureza são universais; longe do estado de equilíbrio as leis são especificas. Essas instabilidades exigem um fluxo de energia, dissipam energia. Daí o nome de estruturas dissipativas” que dei a essas
instabilidades. - Desde diversas perspectivas questiona-se fortemente o sentido do
aleatorio e da casualidade. Deve pensar-se que este é inerente à natureza
ou a nosso modo de descrição?
Esta questão, desde que a mecânica quântica foi formulada, tem suscitado controvérsias exacerbadas. Sem dúvida é possível que um observador situado fora da natureza possa ver um mundo diferente e faça do uma descrição diferente. Mas trata-se em realidade de um pseudo-problema, pois acho que a ciência interessa-se pelos modelos da realidade que nós elaboramos imersos neste mundo. As descobertas deste século – desde a mecânica quântica às instabilidades hidrodinâmicas – mostram que os esquemas deterministas nos são inacessíveis. A investigação atual orienta-se para a incorporação a cada vez maior de elementos aleatórios. Isto se
verifica tanto na cosmologia relativista de Hawking como nos estudos dos “insetos sociais”, onde autores tão competentes como P. P. Grassé ou Remy Chauvin fazem qüestão do papel do azaroso na organização social.

- Se seu “ouvir poética” da natureza reintegra ao homem no mundo que ele observa, em que esta visão responde às afirmações de Jacques Monod segundo quem a “antiga aliança está rompida, o homem sabe hoje que está só na imensidão indiferente do universo?
Monod teve uma consciência notável das propriedades da vida que, a primeira vista, pareciam opor o vivo ao não-vivo. Segundo o a vida está à margem da física: é uma flutuação, é o resultado de uma casualidade milagroso que se perpétua. Mas no universo estruturado que acabo de mencionar a vida é menos milagrosa. Esta busca raízes profundas em propriedades da matéria que só foram postas em evidência recentemente. É interessante notar que, longe do equilíbrio, a matéria adquire propriedades novas, o qual é ilustrado pelo exemplo dos relógios químicos: uma sensibilidade intensa a variações mínimas, comunicação a distância entre moléculas, efeitos de cor dos caminhos percorridos. Desde o princípio do século já sabíamos que a matéria apresenta propriedades ondulatórias em nível microscópico: é a dualidade ondaparticula da mecânica quântica; pois não é que a matéria, em seu nível macroscópico, tal como a encontramos nas reações químicas,
pode adquirir esse caráter ondulatório? É neste sentido que a famosa
oposição entre os defensores da interpretação reducionista e uma
holista está superada.
- Se o conhecimento científico depende do tipo de cultura, que está influenciada pela ideologia especifica de uma sociedade, que tipo de dialética pode se instaurar entre ciência e sociedade? O redescobrimento do tempo é talvez um elemento de unidade entre ciência, cultura e sociedade. Antigamente a ciência falava-nos de leis eternas. Hoje fala-nos de história do universo ou da matéria - daí
sua aproximação evidente com as ciências humanas. Além disso a aproximação se produz em um momento em que a explosão demográfica está transformando as relações entre o homem com os outros homens e a natureza. Dentro desta perspectiva a relação entre ciência, natureza e sociedade toma novas formas. Ou, tomando a ideia de Serge
Moscovici, a ciência torna-se menos esotérica, menos ocupada com peças de museu. Encontra-se mais unida ao destino do homem,integrando-se agora em todas as expressões da inventividade humana.
- Justamente sua concepção das estruturas dissipativa surpreende pela
riqueza da extrapolação a múltiplos campos. Seria esse o novo paradigma delineado no famoso coloquio de Stanford?
Não gosto muito da palavra paradigma. É verdade que na física clássica tinha uma espécie de paradigma, um esquema único e undamental: o da dinâmica, ao qual todas as outras áreas deviam ser reduzidas. Enquanto hoje o mundo da física tem ao mesmo tempo modelos como o do pêndulo, com sua lei reversiva, e também reações químicas caracterizadas pela irreversibilidade da seta do tempo. Não acho que seja possível, nem deseable, reunir todas as possibilidades em um só e único modelo. Em contrapartida penso que é preciso saber superar as contradições para poder passar de um modo de descrição a outro. Em definitiva:
não vivemos talvez em um só universo?
- O fenômeno da entropia não seria o meio para isso?
Em verdade talvez seria bom recordar que o segundo princípio da
termodinâmica, que constitui o núcleo desta teoria, este situado em um
ponto de entrecruzamento. É claro que o resista as condições iniciais, a seta do tempo, que implica a quebra da simetria e sobretudo a noção de espontaneidade. Os fenômenos de crescimento de entropia delimitam nosso poder. Esta impossibilidade de escapar da entropia é o conceito finque pelo qual o segundo princípio da termodinâmica se relaciona às duas grandes revoluções contemporâneas: a relatividade e a mecânica quântica.
Foi graças às impossibilidades inerentes dessas duas teorias que se percebeu que se tratava de grandes novidades: no caso da primeira,a impossibilidade de comunicar com a velocidade da luz e no da segunda a impossibilidade de medir ao mesmo tempo o movimento e a posição de um eléctron. Essa evolução convergente situou-nos em dois terrenos com os limites de nosso poder de manipulação: devolve-nos a um espaço
de atividade no seio da natureza e retira-nos da posição de observador exterior ao que nos relegava a física clássica.
Entrevista realizada por Christian Delacampagne
“Recherche” (1985)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

BBC Brasil
Atualizado em 2 de setembro, 2009 - 05:17 (Brasília) 08:17 GMT
Gripe e outras conspirações

Ivan Lessa

Colunista da BBC Brasil

Falou em conspiração, estou nessa. Assassinato de Getúlio, Juscelino, Lacerda e, para deixarmos de provincianismos, assassinatos de Kennedy, Elvis e, agora, oba!, Michael Jackson. Sem teorias conspiratórias a vida não tem a menor graça. Vivam elas com seus mortos todos.

Vamos a um assunto corrente. A gripe suína. Pera aí! Era “suína”, de repente virou gripe H1N1. Hmm. Sou informado também que há variações, H2,N1 e por aí afora. Todas matam. A mudança de nome é sintomática da tentativa de acobertar alguma canalhice. Se tivemos as gripes aviaria, asiática e a terrível espanhola, por que só essa ganha nome de meia equação?

Circulam virais, como potentes vírus, algumas variações interessantes de algumas teorias a respeito da enfermidade infecciosa virótica que, de alguns meses para cá, ocupa os manchetes dos contagiantes meios de comunicação, que, aliás, já me recomendaram, só ler ou ver na TV protegido com uma máscara azul cerúleo a me cobrir boca e nariz. E lavar muito e várias vezes por dias, cuidadosamente, as mãos.

Limito-me a resumir e passar adiante, como um resfriado à toa, uma pequena porém enfezada teoria conspiratória. Além do mais ando me sentindo lerdo e quiçá (principalmente quiçá) febril. Será a suína, a H1N1 ou a corrente de ar na sala em que trabalho?

O aviso veio sem assinatura, que é como melhor age e nos contagiam as teorias conspiratórias. Nada que é anônimo deve ser ignorado. Tem título com reticência, três pontos de exclamação e muita palavra em negrito, sempre três bons sinais, ou sintomas. Assim, ó: “Pandemia… de lucro!!!”

Assoo o nariz, cato o lenço e sigo em frente. Aspas para a teoria:

“Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe suína? No mundo, a cada ano morrem milhões (assim mesmo, em negrito) de pessoas vítimas da Malária (de novo) que se poderia prevenir com um simples mosquiteiro.

Os noticiários nada disto falam!

No mundo, por ano, morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos.

Sarampo, pneumonia e enfermidades evitáveis com vacinas baratas provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.

Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves… os noticiários mundiais inundaram-se de notícias. Uma epidemia, a mais perigosa de todas… Uma Pandemia! Só se falava da terrífica enfermidade das aves.

Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas em 10 anos. 25 mortos por ano.

A gripe comum, (olha essa vírgula!!!)mata meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Um momento, um momento. Então porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?

Porque atrás desses frangos havia um “galo” de crista grande.

A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú (jura que tem esse acento?) vendeu milhões de doses aos países asiáticos. Ainda que o Tamiflú (jura mesmo?) seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.

Com a gripe das aves, a Roche e a Realenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais obtiveram milhões de dólares de lucro.

Antes com os frangos e agora com os porcos.”

****

Encerro minha transcrição por aqui. Ignorei outro e-mail que me informa do aumento de suicídios devido à… pandemia? Acabo de receber fotos autênticas provando que os americanos nunca foram à Lua e que aquela encenação toda ocorreu num deserto no estado do Arizona. Deserto aliás da propriedade de Donald Rumsfeld, Secretário de Defesa de George Bush, artífice da guerra contra o Iraque. Rumsfeld é, para vocês verem, segundo a teoria conspiratória ora em vigor, o principal acionista da Gilead Sciences, empresa norte-americana. Rumsfeld marcou ponto, pois, em duas teorias conspiratórias quentérrimas.

Alguém já procurou saber onde estava Donald Rumsfeld no dia 22 de Novembro de 1963?

Eu daria uma conferida nisso.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090902_ivanlessa_tp.shtml

© BBC 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Operação Pandemia e a falácia da Gripe Suína

Desde que surgiu esta história de gripe suína fico indignado com a absurda cobertura sensacionalista dada pela mídia ao assunto. Baseados em números pífios, geram um pânico tamanho que está lotando todos os hospitais particulares ou públicos. Como se não bastasse, os mesmos veículos de comunicação fazem questão de ir todos os dias aos Pronto-Atendimentos da rede pública para mostrar como as pessoas estão esperando horas nas filas para serem atendidas, praticando um denuncismo oportunista, sem mencionar que eles mesmos são os grandes causadores de grande parte dessa demanda.
Mencionemos ainda os milhares de alunos que ficam sem aulas, os gastos absurdos com vacinas, os palhaços que andam de máscara pelas ruas, as empresas que são obrigadas a parar e uma infinidade de outras coisas, que são tamanhas que nos fazem pensar se não estamos vivenciando a Revolução dos Bichos de George Orwell, em que os porcos chegam ao poder e passam a mandar e desmandar. Tudo isso refletimos nós, tolos e parvos, sobre uma realidade que só não é mais óbvia que os trocadilhos do Casseta e Planeta, mas assistir um vídeo como o que deixo abaixo realmente faz inquietar até o mais cético opositor das teorias da conspiração. Assistam e tirem suas próprias conclusões, porque a julgar por este post, tão diferente dos que temos veiculado, já dá pra ter uma idéia de quais são as nossas.

Legião Urbana e a filosofia.

Musica fabrica Fábrica
Legião Urbana - Fábrica
Nosso dia vai chegar. Teremos nossa vez.
Não é pedir demais: quero justiça, quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço.
Eu quero um trabalho honesto; em vez de escravidão.
Deve haver algum lugar, onde o mais forte não, consegue escravizar, que não tem
chance.
De onde vem a indiferença Temperada a ferro e fogo?Quem guarda os portões da
fabrica?
O céu já foi azul, mas agora é cinza.
O que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar, que não acontece nada.
De tanto brincar com fogo que venha o fogo então.
Esse ar deixou minha vista cansada.
Nada demais. Nada de demais.
(Renato Russo e Legião Urbana)


A sociedade capitalista é caracterizada pela luta de classe, que é a expressão das contradições existentes dentro da sociedade. Segundo a teoria marxista, a luta de classes é entendida como o confronto existente entre os explorados (proletariado ou trabalhadores) e exploradores (burguesia, detentores dos meios de produção, das indústrias), esses exercem um domínio ideológico sobre a classe explorada. Só é possível acabar com essa contradição a partir do momento em que os trabalhadores de todo o mundo se unirem em uma única classe formando o partido comunista, com o intuito de retirar da burguesia a propriedade privada que corresponde aos meios de produção. Esta retirada será por meio de uma revolução, a revolução do proletariado.

“Deve haver um lugar onde o mais forte não consegue escravizar quem não tem chance”. A música fabrica, expressa em seus versos a relação entre o capitalista e o empregado, entre aquele que vende sua força de trabalho ao capital, e é subjugado por essa força econômica e ideológica.
Só será possível vencer o capitalismo quando o proletariado de todo o mundo se unir, no intuito de formar uma classe com consciência única, para fazer a revolução. Está consiste na superação da propriedade privada, retira-la da classe dominante.

BIBLIOGRAFIA:
ARANHA; Maria Lúcia de Arruda e MARTINS; Maria Helena Pires. Filosofando;
Introdução a Filosofia. 2. ed. rev. atual. – São Paulo: Moderna, 1993.
MARX, Karl, 1818-1883.Manifesto do Partido Comunista/Marx, Engels-10ed.rev- São
Paulo: Global,2006.

Aforismos SENECA


















Procura não te intimidares diante da simples menção da morte. Familiariza-te com ela através da meditação constante, para que possas ir ao seu encontro quando as circunstâncias assim o exigirem.




Que coisa é verdadeiramente grandiosa?

Elevar-se acima das ameaças e promessas do destino e não considerar coisa nenhuma como desejável.






Que valor possui aquilo que ambicionas?

Quando voltas para as preocupações mundanas depois de te ocupares das divinas, sentir-te-ás ofuscado como quem saiu da luz do sol para a profunda sombra.






Não sopra nenhum vento favorável para quem não sabe aonde vai.






Reza um velho provérbio que é na arena que o gladiador deve aconselhar-se.

Mais importante do que apurar o que foi feito, será saber o que fazer.

Quando leve, uma carga faz do outro um devedor;

Pesada, faz dele um inimigo.





O que é grandioso? Suportar a desgraça com coragem e tenacidade.

Recusar o supérfluo quase com indignação.

Não ser audacioso nem covarde.

Não esperar pelos favores do destino, mas toma-lo decididamente nas próprias mãos.






Seguir avante nos bons e maus momentos sem temor nem hesitação.

Não se deixar perturbar nem pelo clamor da desgraça nem pelo esplendor da felicidade.

A consciência deve ser a linha de conduta dos nossos actos.





O falatório alheio deve deixar-nos indiferente.

O que me impede de considerar como futuro filósofo aquele que desconhece inteiramente a literatura específica? Pois a sabedoria não se baseia na literatura específica!






Creiam-me, a verdadeira alegria é uma coisa séria.

O destino guia os cordatos e arrasta consigo os obstinados.






Não deves amontoar pedras para erigir um templo à divindade

Vale mais consagrar-lhe um santuário em cada coração.






Qualquer um serve a si mesmo quando serve os outros.







A única forma condigna de venerar a Deus está em levar uma vida correta.


.

Recolhe-te o mais possível em ti mesmo.

É preciso dispor de tempo para si próprio a fim de podermos contemplar-nos interiormente.




Procura apenas a companhia daqueles que possam contribuir para tornar-te melhor.






Permite apenas a aproximação de pessoas que tu possas melhorar.






Desse modo o estímulo interior será mútuo, pois aprendemos na medida em que ensinamos.






Esconde-te no teu ócio, mas ao mesmo tempo dissimula-o.






A fealdade do corpo não deve afetar a alma; uma bela alma enobrece o corpo.






Aprende a viver e a morrer,

E adquirirás uma serenidade sublime diante de todas as coisas terrenas.








Não devemos centrar a nossa preocupação em viver muito mas em viver o suficiente.






Para podermos viver muito tempo necessitamos da ajuda do destino;

Para vivermos o suficiente necessitamos apenas da correta disposição de espírito.


Pois a vida é longa quando é plena.









Aquele que obedece a ordens de boa vontade exime-se na faceta mais amarga da dependência, isto é, não se vê obrigado a fazer o que não quer.








Infeliz não é quem executa ordens mas o que as cumpre de má vontade.






Portanto, é mais conveniente querer o que as circunstâncias exigem de nós.





Desperdiçamos demais o nosso tempo!

A vida é suficientemente longa e, bem aproveitada, chega até mesmo para concretizar a maior das tarefas...







Eu disponho de tempo, como qualquer um, desde que haja boa vontade.

Somos nós que nos sobrecarregamos de trabalho, julgando que a multiplicidade de empreendimentos contribui para a nossa felicidade.






Concentra-te, durante a tua curta vida, nas coisas essenciais, e vive em paz contigo próprio e com o mundo.







Providencia para que as pessoas te estimem enquanto vivas tu.





Em breve daremos um último suspiro porém, enquanto respirarmos, enquanto nos encontrarmos entre os homens façamos da bondade a nossa obrigação.






Ninguém te fará reviver os anos vividos; ninguém te devolverá a ti mesmo.






Da mesma forma, o teu tempo de vida decorrerá conforme começou

Sem traçar seu curso uma vez mais nem se deter

Não fará alarde de si nem te recordará do quanto passa depressa.

Fluirá simplesmente em silêncio.






Encara cada dia isolado como uma vida inteira.






Grande parte da liberdade consiste em ter estômago bem treinado

Capaz de suportar até maus tratos.








O que é mais importante na vida humana?



É tudo observar com os olhos do espírito e, sendo esta a maior de todas as vitorias

Vencer os próprios vícios.

Não têm conta aqueles que exerceram domínio sobre os povos e sobre as cidades

Pouquíssimos são os que têm domínio sobre si mesmos.



O que será mais importante?

Elevar o espírito acima das ameaças e promessas do destino.

Considerar que nada é digno de ser objeto de esperança.

De fato, que coisa haverá que possas desejar?

Sempre que, do contato com as coisas divinas, voltares a cair nas humanas, deixarás de ver, tal como sucede àqueles cujos olhos saem da luz brilhante do sol para a sombra densa.





O que é mais importante?

Poder sofrer a adversidade com alegria na alma

Suportar tudo o que acontecer como se tivésseis querido que acontecesse.




E, na verdade, deveríeis quere-lo se tivésseis em conta que tudo acontece por decisão de Deus: chorar, queixar-se e gemer é uma forma de rebelião.





O que será mais importante?

Um espírito forte e tenaz contra as desgraças, não apenas contrário aos prazeres mas seu inimigo, que não seja nem temerário nem cobarde diante do perigo

Que saiba que o destino não se espera mas constrói-se e, que,

Intrépido e imperturbável, vá ao seu encontro, seja ele mau ou bom

Sem se deixar atingir nem pela perturbação de um nem pelo fulgor do outro.







O que é mais importante?

Não consentir no espírito más intenções, erguer em direção ao céu as mãos puras, não procurar nenhum bem que, para o obterdes, alguém tenha de o dar ou perder.






Desejar possuir uma consciência sã, coisa que se pode desejar sem que ninguém se nos oponha.


E, se, por algum acaso, vos couberem por sorte algumas dessas coisas que os homens tanto desejam, olhai-as tendo presente que hão-de ir-se embora pelo mesmo caminho por onde vieram.



O que é mais importante?

Elevar o espírito acima daquilo que depende do acaso

Lembrarmo-nos de que somos homens, para que saibais, se fordes felizes, que só o sereis se julgardes sê-lo.





O que será mais importante?

Estar preparado para morrer; é isso que vos tornará livres

Não mercê das leis do Estado mas pelo direito da natureza.

É livre o homem que recusa ser escravo de si mesmo.






Essa servidão constante e incontrolável esmaga, durante todo o dia e toda a noite sem qualquer intervalo nem descanso

Ser escravo de si mesmo é a mais pesada das servidões.




Mas fácil é rejeitá-la, se deixardes de exigir tanto de vós, se deixardes de procurar o lucro, e se puserdes diante dos vossos olhos a vossa natureza e idade, ainda que estejais no começo da vida, e a vós mesmos disserdes: "Porque me comporto como um louco? Porque me canso e suo? Porque dou voltas à terra e ao foro? Não preciso de muito nem por muito tempo.






Aquele que a si mesmo propôs o seguinte programa de vida:

"Eu encararei a morte com o mesmo semblante com que dela ouço falar.

Eu aceitarei as dificuldades, por maiores que sejam, encontrando no espírito forças para o corpo.






Eu desprezarei as riquezas as que estão diante de mim como as que eu não vejo, e não ficarei mais triste se elas estiverem longe de mim, nem mais exultante se refulgirem a meu lado.





Eu não me ressentirei coma sorte, quer ela venha quer ela me abandone.





Eu verei todas as terras como minhas e as minhas terras como as de todos.






Eu viverei sabendo que nasci para os outros e por essa razão ficarei grato à natureza...







Tudo o que tiver nem o pouparei com mesquinhez nem o esbanjarei com prodigalidade.

Não avaliarei os benefícios que prestar nem quaisquer outros bens em função da quantidade ou do valor mas sim do apreço que merece quem os recebe.

Para mim nunca será demais aquilo que dou a quem é digno de o receber.






Nada farei por causa do que os outros pensem de mim, tudo farei em função da minha consciência. Tudo aquilo que fizer, sendo só eu a sabê-lo, fá-lo-ei como se toda a gente visse.






Para mim, a finalidade de comer e de beber será a de apaziguar as necessidades da natureza, e não encher o ventre e esvaziá-lo.







Serei afável para com os amigos, brando e indulgente para com os inimigos. Concederei antes que me implorem e acudirei aos pedidos honestos.





Saberei que a minha pátria é o mundo e que os deuses o governam, eles que, acima de mim e a meu lado, são juízes do que faço e do que digo.






E quando um dia, a natureza me reclamar o sopro da vida ou a razão a ele me fizer renunciar, partirei testemunhando que amei a boa consciência, as ocupações honestas, que por minha causa ninguém viu a sua liberdade cerceada, e muito menos a minha".

Quem se propuser ou tiver a intenção ou procurar fazer tais coisas estará a caminho dos deuses.